KID AS KING
  












____________________




© FLÁVIO RODRIGUES
KID AS KING caracteriza-se por um conjunto de acções interligadas, orgânicas, onde parar é desaparecer, onde fixar é sucumbir, e a fuga implica uma dinâmica geradora de novas acções. A existência e o excesso da mesma estão presentes de forma inalienável, sem possibilidade de castração. Neste solo centrei-me na imagem de dois braços que prendem pelas costas e na construção de uma paisagem frenética, uma bomba iminente na fronteira do sufoco. Numa perseverante passada, esta figura continua, numa homenagem à beleza da rebeldia.

KID AS KING is characterized by a set of interconnected, organic actions, where stopping is disappearing, where where to fix is ​​to succumb, and escaping implies a dynamic generator of new actions. The existence and excess of it are present in an inalienable way, without the possibility of castration. On this solo I focused on the image of two arms that bind you behind your back and the construction of a frantic landscape, an imminent bomb on the border of suffocation. In a persevering walk, this figure continues, in a tribute to the beauty of rebellion.





DOCUMENTAÇÃO 
A urgência em explorar o “trash”, ou lixo, como lugar de memória, prende-se com a relação que estabeleço com a mesma: através de objectos concretos, muitos deles que, com o tempo, se transformam em lixo. Ou como o lixo define a biografia, a história individual, o que percorremos através do que adquirimos, utilizámos e consumimos. O lixo a que me refiro é o universo de objectos que não morrem, não apodrecem naturalmente. São as cartas, os jornais, os objectos físicos, a mobília, a roupa. Através da análise do lixo de uma pessoa, é possível construir biografias, movimentos, vidas. É, portanto, um território simultaneamente indesejável e essencial enquanto matéria que existe, apesar da destruição do mesmo de formas bastante eficazes nas sociedades contemporâneas. Curiosamente, nestas, o negocio da destruição de lixo é um negocio lucrativo e, assim, parte de um sistema capitalista, onde o lucro impera de forma mais ou menos selvagem. A produção de lixo como produção de memória e, no entanto, também como produção de algo indesejável que é imperativo destruir. Para destruir o lixo, constroem-se máquinas, aterros, ou seja, surge todo um outro universo que se constrói, aqui para destruir. Destruir lixo é também destruir memória, é destruir parte de vidas humanas. E é neste universo paradoxal que KID AS KING acontece. 

A informação, parte inescapável do mundo em que vivemos, pertence a um universo múltiplo, quase infinito, manipulável, manipulado e também ele capitalista, ou gerador de muito dinheiro e poder. Entre muitos meios através dos quais podemos aceder a essa informação, existem os jornais, objecto material concreto que é elemento desse universo informativo, sendo também lixo, enquanto matéria descartável e caracterizadora de um espaço, tempo e lugar. Estamos atolados em informação, uma parte dela manipulada e que manipula a forma como entendemos o mundo, o que nos rodeia. E, no entanto, é lixo. “Trash”. Em KID AS KING, o lixo é a escória e surge em forma de um território à partida indesejável. 

Como em Personnes, de Christian Boltanski, será edificada uma pirâmide-trono, um monte que se materializa através de “jornais”, notícias de um mundo onde elas se neutralizam e se tornam insignificantes, controladas por um residente instável mas ainda assim pragmático. A criação de uma pirâmide-trono implica a existência de um vigilante, um controlador que, nos seus atos, evidencia as suas maiores desproporções. No entanto, esta pirâmide-trono é também um muro. Um muro de informação, um muro de indignação perante o mundo, um muro de separação. 

↓ 
The urgency in exploring the “trash”, or garbage, as a place of memory, is related to the relation that I establish with it: through concrete objects, most of them that, over time, become trash. Or how waste defines biography, individual history, what we travel through what we acquire, use and consume. The garbage I refer is the universe of objects that do not die, that do not rot naturally. They are the letters, the newspapers, the physical objects, the furniture, the clothes. Through the analysis of a person's garbage, it is possible to construct biographies, movements, lives. It is, therefore, a territory both undesirable and essential as a matter that exists, despite the destruction of it in very effective ways in contemporary societies. Curiously, in these societies, the business of destroing garbage is a profitable business and thus part of a capitalist system, where profit reigns more or less wildly. The production of garbage as a production of memory, and yet, also production of something undesirable that is imperative to destroy. To destroy the garbage, we built machines, landfills, that is, it arises an all other universe that is built, here to destroy. Destroying garbage is also to destroy memory, it is destroying part of human lives. And it is in this paradoxical universe that KID AS KING happens. 

Information, an inescapable part of the world in which we live, belongs to a multiple, almost infinite, manipulative, manipulated and also capitalist universe, or creator of much money and power. Among the many means by which we can access this information, there are newspapers, a concrete material object that is an element of this informational universe, being also waste, as a disposable and characterizing material of a space, time and place. We are bogged down in information, a part of it manipulated and manipulating how we understand the world, what surrounds us. And yet, it's garbage. "Trash". In KID AS KING, garbage is the scum and arises in the form of undesirable starting territory.

As in Christian Boltanski's Personnes, a pyramid-throne will be built, an hill that materializes through "newspapers", news from a world where they neutralize and become insignificant, controlled by an unstable but still pragmatic resident. The creation of a pyramid-throne implies the existence of a vigilante, a controller who, in his acts, evidences his greater disproportions. However, this pyramid-throne is also a wall. A wall of information, a wall of indignation before the world, a wall of separation.





Creation and Interpretation | Bruno Senune
Sonography | Flávio Rodrigues
Light Design & Technique | Zeca Iglésias
Costume | Tânia Carvalho
Documentation | Telma João Santos
Co-production | Teatro Municipal do Porto Rivoli
Residence | Balleteatro, Circolando, Companhia Instável, Mala Voadora
Support to creation| Fundação Calouste Gulbenkian
Thanks to BACtéria, Fátima São Simão


Debut at Festival DDD, Mala Voadora (Oporto)
Reposition | Festival Contradança (Covilhã)



© JOSÉ CALDEIRA - MALA VOADORA



PRESS TIAGO DIAS














“Most Young Kings Get Their Heads Cut Off”
Jean-Michel Basquiat




BACK